Começa nesta segunda-feira (26) o terceiro e último trimestre do ano letivo. Este é o mais importante, não só por ser o decisivo, como também por ter o mesmo peso que os dois anteriores.
Já vimos caso de estudante com boas notas nos dois primeiros relaxar e não conseguir a aprovação. Por exemplo: 6,5 - 7,5 - 4,5. Entretanto o contrário já aconteceu diversas vezes. Exemplo: 4,0 - 5,0 - 8,0.
Cabe ressaltar que, pelo modelo anterior, o estudante que foi aprovado estaria reprovado e vice-versa.
Então, caros alunos do CMPF, mãos à obra, com muito esforço e dedicação, rumo à aprovação!
terça-feira, 27 de setembro de 2011
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Festival Curta Cabo Frio
Sob orientação da professora Denize Quintal, estudantes da turma 1102 concorreram no Festival Curta Cabo Frio e venceram o Prêmio Curta Escola na categoria Ensino Médio, com "Oportunidade". Esta é uma premiação específica para curtas produzidos nas escolas particulares, municipais e estaduais das cidades que compõem a Costa do Sol.
Veja a relação dos premiados em http://www.festivalcurtacabofrio.com.br/mostra_pagina.php?cd_pagina=4772
Parabéns aos envolvidos, que elevam o nome de nosso colégio para outras fronteiras da região!
Veja a relação dos premiados em http://www.festivalcurtacabofrio.com.br/mostra_pagina.php?cd_pagina=4772
Parabéns aos envolvidos, que elevam o nome de nosso colégio para outras fronteiras da região!
domingo, 18 de setembro de 2011
CMPF nos II JEMAB
Mais uma vez o nosso colégio deu um show nos Jogos Estudiantes do Município de Armação dos Búzios (JEMAB), realizado no Centro Municipal de Educação Integral (CEMEI), no bairro da Rasa.
No vôlei masculino e feminino terminamos em primeiro lugar, garantindo o bicampeonato.
Vencemos também, no feminino, o handebol feminino e o futsal. No masculino, ganhamos no futsal, ficamos na segunda colocação no basquete e na terceira posição no handebol.
No xadrez, duas medalhas, com Lohan Alencar em primeiro e Sebastião Rodrigues em terceiro lugar.
Parabéns a todos os envolvidos!
No vôlei masculino e feminino terminamos em primeiro lugar, garantindo o bicampeonato.
Vencemos também, no feminino, o handebol feminino e o futsal. No masculino, ganhamos no futsal, ficamos na segunda colocação no basquete e na terceira posição no handebol.
No xadrez, duas medalhas, com Lohan Alencar em primeiro e Sebastião Rodrigues em terceiro lugar.
Parabéns a todos os envolvidos!
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Ensino médio é 'um modelo muito antigo e ultrapassado'
De acordo com o sociólogo Simon Schwartzman, esta fase da educação deveria permitir ao aluno escolher as matérias que prefere estudar.
É sabido que o Ensino Médio brasileiro enfrenta uma série de problemas, como evasão escolar, alunos atrasados e baixos níveis de aprendizado. Para o sociólogo, professor, pesquisador do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets) e coautor do livro “Uma contribuição pedagógica para a educação brasileira” (Adonis), Simon Schwartzman, a solução passa por um Ensino Médio menos universalista, que permita aos alunos escolherem as disciplinas que gostariam de estudar: “As pessoas não têm como aprender tudo. O ensino médio não dá opção de especialização e acaba virando uma enorme lista de coisas que todo o mundo tem que decorar para passar de ano.”
Quais os desafios do Ensino Médio brasileiro?
Há muito abandono. Esse é o problema mais óbvio. Há muita gente que ou não chega lá ou chega e não consegue completar e larga no meio. Há, também, falta de gente com uma qualificação intermediária no mercado de trabalho. Por que é assim? Tem a ver com a falta de alternativas de formação e com um modelo muito antigo e ultrapassado que domina o Ensino Médio.
Por que é ultrapassado?
Porque está baseado em uma concepção de conhecimento universalista. Todo o mundo tem que conhecer tudo: tem que saber ciências, literatura, história. As pessoas não têm como aprender tudo. O Ensino Médio não dá opção de especialização e acaba virando uma enorme lista de coisas que todo o mundo tem que decorar para passar de ano. Algumas pessoas conseguem, mas grande parte, não. Mesmo para os que conseguem, é uma perda de tempo, porque estão aprendendo muito pouco. Temos um problema muito sério de um formato, que é rígido, e com uma concepção de educação universalista que não funciona.
Quais seriam as mudanças mais importantes a serem feitas no Ensino Médio?
A primeira coisa que se tem que fazer é ter mais opções de formação. O aluno poderia escolher uma formação mais científica, mais aplicada, uma formação mais das ciências humanas. Essas opções devem ser dadas a partir do Ensino Médio. Durante o Ensino Básico ensina-se uma formação comum, basicamente linguagem, conceitos básicos de matemática, noções gerais de ciências, história e geografia. A partir daí, o problema é dar opções. Uma das opções que falta é ter uma formação mais aplicada, ensinar pela via da experiência prática, do trabalho. E não deveria haver uma porta única de entrada para o Ensino Superior.
E qual seria a outra forma?
Há várias maneiras, uma delas é ter uma pluralidade de certificados. Muitos países hoje em dia fazem isso. Ao terminar o Ensino Médio, o estudante pode se qualificar de acordo com o que ele estudou. Se ele fez matérias de ciências exatas ou de ciências humanas ou mais para a área de artes, ele deve adquirir uma certificação desse conhecimento. A universidade, à medida que seleciona os alunos, vê que tipo de formação o aluno teve e quais formações são mais adequadas para cada tipo de curso.
Exigir uma escolha de disciplinas no Ensino Médio não é restringir as opções muito cedo?
Não, acho que aos 15 anos de idade o aluno já está em uma boa época para fazer opções. Não opções profissionais, mas certas opções que ele acaba fazendo na prática. Ninguém aprende tudo aos 15 anos de idade: geografia, física, história, química, biologia, sociologia... O aluno pode dedicar os três anos para aprofundar uns três temas. Temas de interesse do próprio aluno. A escola também vai se especializar naquilo que ela é mais capaz de dar. Se eu quiser fazer um Ensino Médio de artes, vou para uma escola que tenha boa tradição em Ensino Médio de artes.
O senhor acredita que isso diminuiria a evasão escolar?
Acho que sim, à medida que ao aluno faz um curso em que tem mais interesse. Um outro problema, além do interesse, é que se tem uma situação de que muita gente chega ao Ensino Médio com muita deficiência, porque fizeram um Ensino Básico muito ruim, não conseguem ler direito, não aprenderam matemática direito. É ilusório achar que vai recuperar essas pessoas com pequenos cursos de reciclagem.
Há outros modelos no mundo que poderiam servir de exemplo?
O mundo todo faz isso de outra maneira. Primeiro, há uma grande divisão tradicional entre uma formação técnica e uma formação mais acadêmica. A maior parte dos estudantes do mundo inteiro não faz uma opção acadêmica, faz uma opção mais profissional.
Na Inglaterra, há o que eles chamam de A-level (Advanced Level General Certificate of Education), em que o aluno, para ir para a universidade, tem que tirar uma nota alta em três temas, à escolha dele. Conforme o desempenho nessas áreas, ele pode se candidatar à universidade.
Na França, há um exame interno de Ensino Médio, mas há uns dez tipos diferentes, o aluno escolhe qual ele quer fazer. A Alemanha também tem uma avaliação final, mas o aluno escolhe as áreas. Tudo, ao fim do Ensino Médio. Isso dá o certificado de conclusão do Ensino Médio e, ao mesmo tempo, especifica que o aluno terminou o Ensino Médio e tirou determinada nota em determinados assuntos.
Nos Estados Unidos não há cursos diferentes, mas dentro de cada escola há uma série de opções: o aluno pode optar por uma matemática mais dura ou menos dura. Se ele quiser fazer um curso de física, ele vai pegar a matemática mais difícil, se não, ele pega a mais leve e vai fazer outra coisa. Há sempre opções, no Brasil é que não tem.
É possível dizer que o Ensino Médio no Brasil é um curso de preparação para o vestibular?
Ele é um curso preparatório para o vestibular, mas poucas escolas de Ensino Médio, especialmente as públicas, conseguem na verdade preparar. O aluno aprende muito pouco no Ensino Médio. Se pudesse escolher três ou quatro matérias, ele teria tempo de estudar, de pesquisar, de escrever, de discutir com o professor, se reunir com um grupo de trabalho... Se ele precisa fazer 17 matérias, ele vai decorar um pouquinho de cada uma para prestar vestibular e esquecer no dia seguinte.
O senhor conhece alguma alternativa no Brasil?
Existem tentativas de flexibilizar mais. Há o parecer do Conselho Federal de Educação, que aparentemente criaria alternativas, mas se você lê-lo verá que é uma confusão, que nada é dito com clareza.
http://redeglobo.globo.com/globoeducacao/noticia/2011/08/universalista-ensino-medio-e-um-modelo-muito-antigo-e-ultrapassado.html
É sabido que o Ensino Médio brasileiro enfrenta uma série de problemas, como evasão escolar, alunos atrasados e baixos níveis de aprendizado. Para o sociólogo, professor, pesquisador do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets) e coautor do livro “Uma contribuição pedagógica para a educação brasileira” (Adonis), Simon Schwartzman, a solução passa por um Ensino Médio menos universalista, que permita aos alunos escolherem as disciplinas que gostariam de estudar: “As pessoas não têm como aprender tudo. O ensino médio não dá opção de especialização e acaba virando uma enorme lista de coisas que todo o mundo tem que decorar para passar de ano.”
Quais os desafios do Ensino Médio brasileiro?
Há muito abandono. Esse é o problema mais óbvio. Há muita gente que ou não chega lá ou chega e não consegue completar e larga no meio. Há, também, falta de gente com uma qualificação intermediária no mercado de trabalho. Por que é assim? Tem a ver com a falta de alternativas de formação e com um modelo muito antigo e ultrapassado que domina o Ensino Médio.
Por que é ultrapassado?
Porque está baseado em uma concepção de conhecimento universalista. Todo o mundo tem que conhecer tudo: tem que saber ciências, literatura, história. As pessoas não têm como aprender tudo. O Ensino Médio não dá opção de especialização e acaba virando uma enorme lista de coisas que todo o mundo tem que decorar para passar de ano. Algumas pessoas conseguem, mas grande parte, não. Mesmo para os que conseguem, é uma perda de tempo, porque estão aprendendo muito pouco. Temos um problema muito sério de um formato, que é rígido, e com uma concepção de educação universalista que não funciona.
Quais seriam as mudanças mais importantes a serem feitas no Ensino Médio?
A primeira coisa que se tem que fazer é ter mais opções de formação. O aluno poderia escolher uma formação mais científica, mais aplicada, uma formação mais das ciências humanas. Essas opções devem ser dadas a partir do Ensino Médio. Durante o Ensino Básico ensina-se uma formação comum, basicamente linguagem, conceitos básicos de matemática, noções gerais de ciências, história e geografia. A partir daí, o problema é dar opções. Uma das opções que falta é ter uma formação mais aplicada, ensinar pela via da experiência prática, do trabalho. E não deveria haver uma porta única de entrada para o Ensino Superior.
E qual seria a outra forma?
Há várias maneiras, uma delas é ter uma pluralidade de certificados. Muitos países hoje em dia fazem isso. Ao terminar o Ensino Médio, o estudante pode se qualificar de acordo com o que ele estudou. Se ele fez matérias de ciências exatas ou de ciências humanas ou mais para a área de artes, ele deve adquirir uma certificação desse conhecimento. A universidade, à medida que seleciona os alunos, vê que tipo de formação o aluno teve e quais formações são mais adequadas para cada tipo de curso.
Exigir uma escolha de disciplinas no Ensino Médio não é restringir as opções muito cedo?
Não, acho que aos 15 anos de idade o aluno já está em uma boa época para fazer opções. Não opções profissionais, mas certas opções que ele acaba fazendo na prática. Ninguém aprende tudo aos 15 anos de idade: geografia, física, história, química, biologia, sociologia... O aluno pode dedicar os três anos para aprofundar uns três temas. Temas de interesse do próprio aluno. A escola também vai se especializar naquilo que ela é mais capaz de dar. Se eu quiser fazer um Ensino Médio de artes, vou para uma escola que tenha boa tradição em Ensino Médio de artes.
O senhor acredita que isso diminuiria a evasão escolar?
Acho que sim, à medida que ao aluno faz um curso em que tem mais interesse. Um outro problema, além do interesse, é que se tem uma situação de que muita gente chega ao Ensino Médio com muita deficiência, porque fizeram um Ensino Básico muito ruim, não conseguem ler direito, não aprenderam matemática direito. É ilusório achar que vai recuperar essas pessoas com pequenos cursos de reciclagem.
Há outros modelos no mundo que poderiam servir de exemplo?
O mundo todo faz isso de outra maneira. Primeiro, há uma grande divisão tradicional entre uma formação técnica e uma formação mais acadêmica. A maior parte dos estudantes do mundo inteiro não faz uma opção acadêmica, faz uma opção mais profissional.
Na Inglaterra, há o que eles chamam de A-level (Advanced Level General Certificate of Education), em que o aluno, para ir para a universidade, tem que tirar uma nota alta em três temas, à escolha dele. Conforme o desempenho nessas áreas, ele pode se candidatar à universidade.
Na França, há um exame interno de Ensino Médio, mas há uns dez tipos diferentes, o aluno escolhe qual ele quer fazer. A Alemanha também tem uma avaliação final, mas o aluno escolhe as áreas. Tudo, ao fim do Ensino Médio. Isso dá o certificado de conclusão do Ensino Médio e, ao mesmo tempo, especifica que o aluno terminou o Ensino Médio e tirou determinada nota em determinados assuntos.
Nos Estados Unidos não há cursos diferentes, mas dentro de cada escola há uma série de opções: o aluno pode optar por uma matemática mais dura ou menos dura. Se ele quiser fazer um curso de física, ele vai pegar a matemática mais difícil, se não, ele pega a mais leve e vai fazer outra coisa. Há sempre opções, no Brasil é que não tem.
É possível dizer que o Ensino Médio no Brasil é um curso de preparação para o vestibular?
Ele é um curso preparatório para o vestibular, mas poucas escolas de Ensino Médio, especialmente as públicas, conseguem na verdade preparar. O aluno aprende muito pouco no Ensino Médio. Se pudesse escolher três ou quatro matérias, ele teria tempo de estudar, de pesquisar, de escrever, de discutir com o professor, se reunir com um grupo de trabalho... Se ele precisa fazer 17 matérias, ele vai decorar um pouquinho de cada uma para prestar vestibular e esquecer no dia seguinte.
O senhor conhece alguma alternativa no Brasil?
Existem tentativas de flexibilizar mais. Há o parecer do Conselho Federal de Educação, que aparentemente criaria alternativas, mas se você lê-lo verá que é uma confusão, que nada é dito com clareza.
http://redeglobo.globo.com/globoeducacao/noticia/2011/08/universalista-ensino-medio-e-um-modelo-muito-antigo-e-ultrapassado.html
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Aluno do 3º ano é premiado nos II JEMAB
O aluno Bruno Barbosa, da turma 1301, foi premiado pelo segundo lugar no concurso da logomarca dos II Jogos Estudantis do Município de Armação dos Búzios (JEMAB). Os três melhores desenhos receberam medalhas. Nicole Speroni Gomes, estudante da EM Nicomedes Theotônio Vieira, desenhou a logomarca escolhida para representar o evento.
Até o dia 17 de setembro alunos da rede de ensino de Búzios participam dos Jogos Estudantis, promovidos pelas secretarias de Educação e Ciência, e Esporte e Lazer no Centro Municipal de Educação Integral – Cemei, da Rasa.
Aberto no último dia 20, o evento reúne estudantes do 6º ano ao Ensino Médio, nos próximos três sábados, para disputa de diversas modalidades esportivas (handebol, voleibol, futsal, atletismo, xadrez e basquete). Cerca de 600 alunos participaram da abertura que contou com a presença do prefeito em exercício, Alexandre Martins, Secretária de Educação e Ciência, Carolina Rodrigues, e Secretário de Esporte e Lazer, João Carlos de Moraes.
A cerimônia teve início com o desfile das equipes participantes, e apresentação dos alunos da Apae e das Líderes de Torcida de cada escola.
A alegria e descontração foram a marca deste primeiro dia dos Jogos Estudantis 2011. Vestindo as cores de sua escola e munidos de bandeiras e muita empolgação, alunos participaram torcendo com entusiasmo, estimulando as equipes.
Até o dia 17 de setembro alunos da rede de ensino de Búzios participam dos Jogos Estudantis, promovidos pelas secretarias de Educação e Ciência, e Esporte e Lazer no Centro Municipal de Educação Integral – Cemei, da Rasa.
Aberto no último dia 20, o evento reúne estudantes do 6º ano ao Ensino Médio, nos próximos três sábados, para disputa de diversas modalidades esportivas (handebol, voleibol, futsal, atletismo, xadrez e basquete). Cerca de 600 alunos participaram da abertura que contou com a presença do prefeito em exercício, Alexandre Martins, Secretária de Educação e Ciência, Carolina Rodrigues, e Secretário de Esporte e Lazer, João Carlos de Moraes.
A cerimônia teve início com o desfile das equipes participantes, e apresentação dos alunos da Apae e das Líderes de Torcida de cada escola.
A alegria e descontração foram a marca deste primeiro dia dos Jogos Estudantis 2011. Vestindo as cores de sua escola e munidos de bandeiras e muita empolgação, alunos participaram torcendo com entusiasmo, estimulando as equipes.
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Ainda o fundamentalismo - Por Leonardo Boff
O ato terrorista perpetrado na Noruega de forma calculada por um extremista norueguês de 32 anos, trouxe novamente à baila a questão do fundamentalismo. Os governos ocidentais e a mídia induziram a opinião pública mundial a associar o fundamentalismo e o terrorismo quase que exclusivamente a setores radicais do Islamismo. Barack Obama dos USA e David Cameron do Reino Unido se apressaram em solidarizar-se com governo da Noruega e reforçaram a idéia de dar batalha mortal ao terrorismo, no pressuposto de que seria um ato da Al Qaeda. Preconceito. Desta vez era um nativo, branco, de olhos azuis, com nivel superior e cristão, embora o The New York Times o apresente “sem qualidades e fácil de se esquecer”.
Além de rejeitar decididamente o terrorismo e o fundamentalismo devemos procurar entender o porquê deste fenômeno. Já abordei algumas vezes nesta coluna tal tema que resultou num livro “Fundamentalismo,Terrorismo, Religião e Paz: desafio do século XXI”(Vozes 2009). Ai refiro, entre outras causas, o tipo de globalização que predominou desde o seu início, uma globalização fundamentalmente da economia, dos mercados e das finanças. Edgar Morin a chama de “idade de ferro da globalização”. Não se seguiu, como a realidade pedia, uma globalização política (uma governança global dos povos), uma globalização ética e educacional. Explico-me: com a globalização inauguramos uma fase nova da história do Planeta vivo e da própria humanidade. Estamos deixando para trás os limites restritos das culturas regionais com suas identidades e a figura do estado-nação para entrarmos cada vez mais no processo de uma história coletiva, da espécie humana, com um destino comum, ligado ao destino da vida e, de certa forma, da própria Terra. Os povos se puseram em movimento, as comunicações colocaram todos em contacto com todos e multidões, por distintas razões, começar a circular pelo mundo.
Esta transição não foi preparada, pois o que vigorava era o confronto entre duas formas de organizar a sociedade: o socialismo estatal da União Soviética e o capitalismo liberal do Ocidente. Todos deviam alinhar-se a uma destas alternativas. Com o desmonte da União Soviética, não surgiu um mundo multipolar mas o predomínio dos EUA como a maior potência econômico-militar que começou a exercer um poder imperial, fazendo que todos se alinhassem a seus interesses globais. Mais que globalização em sentido amplo, ocorreu uma espécie de ocidentalização mundo. Ela funcionou como um rolo compressor, passando por cima de respeitáveis tradições culturais. Isso foi agravado pela típica arrogância do Ocidente de se sentir portador da melhor cultura, da melhor ciência, da melhor religião, da melhor forma de produzir e de governar.
Essa uniformização global gerou forte resistência, amargura e raiva em muitos povos. Assistiam a erosão de sua identidade e de seus costumes. Em situações assim surgem, normalmente, forças identitárias que se aliam a setores conservadores das religiões, guardiães naturais das tradições. Dai se origina o fundamentalismo que se caracteriza por conferir valor absoluto ao seu ponto de vista. Quem afirma de forma absoluta sua identidade, está condenado a ser intolerante para com os diferentes, a desprezá-los e, no limite, a eliminá-los.
Este fenômeno é recorrente em todo o mundo. No Ocidente grupos significativos de viés conservador se sentem ameaçados em sua identidade pela penetração de culturas não-européias, especialmente do Islamismo. Rejeitam o multiculturalismo e cultivam a xenofobia. O terrorista norueguês estava convencido de que a luta democrática contra a ameaça de estrangeiros na Europa estava perdida. Partiu então para uma solução desesperada: colocar um gesto simbólico de eliminação de “traidores” multiculturalistas.
A resposta do Governo e do povo norueguês foi sábia: responderam com flores e com a afirmação de mais democracia, vale dizer, mais convivência com as diferenças, mais tolerância, mais hospitalidade e mais solidariedade. Esse é o caminho que garante uma globalização humana, na qual será mais difícil a repetição de semelhantes tragédias.
Leonardo Boff é autor de “Virtudes de um outro mundo possivel” 3 tomos, Vozes 2008-2009.
Além de rejeitar decididamente o terrorismo e o fundamentalismo devemos procurar entender o porquê deste fenômeno. Já abordei algumas vezes nesta coluna tal tema que resultou num livro “Fundamentalismo,Terrorismo, Religião e Paz: desafio do século XXI”(Vozes 2009). Ai refiro, entre outras causas, o tipo de globalização que predominou desde o seu início, uma globalização fundamentalmente da economia, dos mercados e das finanças. Edgar Morin a chama de “idade de ferro da globalização”. Não se seguiu, como a realidade pedia, uma globalização política (uma governança global dos povos), uma globalização ética e educacional. Explico-me: com a globalização inauguramos uma fase nova da história do Planeta vivo e da própria humanidade. Estamos deixando para trás os limites restritos das culturas regionais com suas identidades e a figura do estado-nação para entrarmos cada vez mais no processo de uma história coletiva, da espécie humana, com um destino comum, ligado ao destino da vida e, de certa forma, da própria Terra. Os povos se puseram em movimento, as comunicações colocaram todos em contacto com todos e multidões, por distintas razões, começar a circular pelo mundo.
Esta transição não foi preparada, pois o que vigorava era o confronto entre duas formas de organizar a sociedade: o socialismo estatal da União Soviética e o capitalismo liberal do Ocidente. Todos deviam alinhar-se a uma destas alternativas. Com o desmonte da União Soviética, não surgiu um mundo multipolar mas o predomínio dos EUA como a maior potência econômico-militar que começou a exercer um poder imperial, fazendo que todos se alinhassem a seus interesses globais. Mais que globalização em sentido amplo, ocorreu uma espécie de ocidentalização mundo. Ela funcionou como um rolo compressor, passando por cima de respeitáveis tradições culturais. Isso foi agravado pela típica arrogância do Ocidente de se sentir portador da melhor cultura, da melhor ciência, da melhor religião, da melhor forma de produzir e de governar.
Essa uniformização global gerou forte resistência, amargura e raiva em muitos povos. Assistiam a erosão de sua identidade e de seus costumes. Em situações assim surgem, normalmente, forças identitárias que se aliam a setores conservadores das religiões, guardiães naturais das tradições. Dai se origina o fundamentalismo que se caracteriza por conferir valor absoluto ao seu ponto de vista. Quem afirma de forma absoluta sua identidade, está condenado a ser intolerante para com os diferentes, a desprezá-los e, no limite, a eliminá-los.
Este fenômeno é recorrente em todo o mundo. No Ocidente grupos significativos de viés conservador se sentem ameaçados em sua identidade pela penetração de culturas não-européias, especialmente do Islamismo. Rejeitam o multiculturalismo e cultivam a xenofobia. O terrorista norueguês estava convencido de que a luta democrática contra a ameaça de estrangeiros na Europa estava perdida. Partiu então para uma solução desesperada: colocar um gesto simbólico de eliminação de “traidores” multiculturalistas.
A resposta do Governo e do povo norueguês foi sábia: responderam com flores e com a afirmação de mais democracia, vale dizer, mais convivência com as diferenças, mais tolerância, mais hospitalidade e mais solidariedade. Esse é o caminho que garante uma globalização humana, na qual será mais difícil a repetição de semelhantes tragédias.
Leonardo Boff é autor de “Virtudes de um outro mundo possivel” 3 tomos, Vozes 2008-2009.
domingo, 12 de junho de 2011
Direitos humanos deverão ser ensinados nas escolas
Alunos do ensino básico, em todo o Brasil, podem vir a estudar Direitos Humanos no próximo ano. O anúncio foi realizado nesta quinta (09/06) em audiência pública na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) pelo representante do colegiado do Conselho Nacional de Educação (CNE), Raimundo Feitosa. Segundo Feitosa, com a introdução da nova disciplina busca-se uma escola livre de preconceitos, violência, abuso sexual e intimidação.
As diretrizes para implantação destes conteúdos estão sendo elaboradas pelo (CNE) e efetivada pelo Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares (Gajop) por meio de uma pesquisa pioneira no Brasil que irá mostrar a diversidade brasileira. A intenção é que tais diversidades sejam incorporadas ao ensino a fim de que sejam eliminados os preceitos e as consequentes violências que se reproduzem diariamente na sociedade brasileira - não só no âmbito da escola (com o chamado buyilling) como também da família e da comunidade.
“E é neste sentido que a pesquisa se coaduna tanto com os objetivos do Plano Nacional de Educação (PNE), quanto com o do Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos (PNEDH)”, disse Manoel Moraes coordenador do Gajop. Moraes afirmou ainda que este é um momento muito importante para a educação brasileira, pois a pesquisa e toda a discussão em torno do PNE podem de fato colocar estes conteúdos emancipatórios na educação brasileira. Ele lembrou também que a educação tanto está mobilizando a sociedade que o PNE recebeu mais de 2.900 emendas, um número recorde.
A pesquisa está sendo realizada via e-mail em 5.565 secretarias municipais de educação. Assim, membros do Gajop ressaltaram a importância da sensibilização junto aos secretários estaduais para que estes respondam ao questionário. A representante da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação no Estado de Pernambuco (Undime - PE), Maria do Socorro Ferreira Maia disse que a Undime trabalhará neste sentido, visto que o gestor municipal tem um papel fundamental na educação e no funcionamento desta parceria na pesquisa que fará um “retrato” da diversidade brasileira. Esta foi encomendada pela Secretaria de Direitos Humanos (SDH) e teve início em fevereiro deste ano. A conclusão do trabalho está previsto para setembro.
A senadora Marta Suplicy (PT-SP) observou que é a primeira vez que se faz uma pesquisa desse tipo no país. Marta afirmou que o trabalho é árduo e, provavelmente, será ainda mais difícil elaborar as diretrizes e colocá-las em prática no dia a dia das escolas. “A tarefa é grandiosa. Contudo, temos que trabalhar estes problemas no Brasil e aceitar que somos uma sociedade de diferentes. Temos que encarar nossas diversidades, trabalhá-las e aceitá-las. E o melhor espaço para que isto aconteça é na educação”, disse. Já a Senadora Ana Rita (PT-ES) destacou que muitas pessoas ainda não entendem os conceitos de direitos humanos e ainda acreditam que estes direitos servem apenas para defender aqueles que fazem coisas erradas. Então, com o real conceito de direitos humanos sendo disseminando por meio da educação será aberto um novo caminho para que se fomente em nossa sociedade uma cultura de paz, harmonia e solidariedade.
Ao final da audiência, a senadora encaminhou como proposta uma reunião com a assessoria de comissão do Senado para que a pesquisa e seus resultados sejam divulgados por todos os instrumentos de mídia disponíveis na Casa.
Fonte: http://www.inesc.org.br/noticias/noticias-do-inesc/2011/junho/direitos-humanos-deverao-ser-ensinados-nas-escolas
As diretrizes para implantação destes conteúdos estão sendo elaboradas pelo (CNE) e efetivada pelo Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares (Gajop) por meio de uma pesquisa pioneira no Brasil que irá mostrar a diversidade brasileira. A intenção é que tais diversidades sejam incorporadas ao ensino a fim de que sejam eliminados os preceitos e as consequentes violências que se reproduzem diariamente na sociedade brasileira - não só no âmbito da escola (com o chamado buyilling) como também da família e da comunidade.
“E é neste sentido que a pesquisa se coaduna tanto com os objetivos do Plano Nacional de Educação (PNE), quanto com o do Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos (PNEDH)”, disse Manoel Moraes coordenador do Gajop. Moraes afirmou ainda que este é um momento muito importante para a educação brasileira, pois a pesquisa e toda a discussão em torno do PNE podem de fato colocar estes conteúdos emancipatórios na educação brasileira. Ele lembrou também que a educação tanto está mobilizando a sociedade que o PNE recebeu mais de 2.900 emendas, um número recorde.
A pesquisa está sendo realizada via e-mail em 5.565 secretarias municipais de educação. Assim, membros do Gajop ressaltaram a importância da sensibilização junto aos secretários estaduais para que estes respondam ao questionário. A representante da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação no Estado de Pernambuco (Undime - PE), Maria do Socorro Ferreira Maia disse que a Undime trabalhará neste sentido, visto que o gestor municipal tem um papel fundamental na educação e no funcionamento desta parceria na pesquisa que fará um “retrato” da diversidade brasileira. Esta foi encomendada pela Secretaria de Direitos Humanos (SDH) e teve início em fevereiro deste ano. A conclusão do trabalho está previsto para setembro.
A senadora Marta Suplicy (PT-SP) observou que é a primeira vez que se faz uma pesquisa desse tipo no país. Marta afirmou que o trabalho é árduo e, provavelmente, será ainda mais difícil elaborar as diretrizes e colocá-las em prática no dia a dia das escolas. “A tarefa é grandiosa. Contudo, temos que trabalhar estes problemas no Brasil e aceitar que somos uma sociedade de diferentes. Temos que encarar nossas diversidades, trabalhá-las e aceitá-las. E o melhor espaço para que isto aconteça é na educação”, disse. Já a Senadora Ana Rita (PT-ES) destacou que muitas pessoas ainda não entendem os conceitos de direitos humanos e ainda acreditam que estes direitos servem apenas para defender aqueles que fazem coisas erradas. Então, com o real conceito de direitos humanos sendo disseminando por meio da educação será aberto um novo caminho para que se fomente em nossa sociedade uma cultura de paz, harmonia e solidariedade.
Ao final da audiência, a senadora encaminhou como proposta uma reunião com a assessoria de comissão do Senado para que a pesquisa e seus resultados sejam divulgados por todos os instrumentos de mídia disponíveis na Casa.
Fonte: http://www.inesc.org.br/noticias/noticias-do-inesc/2011/junho/direitos-humanos-deverao-ser-ensinados-nas-escolas
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